31 de Agosto de 2009
I – Quem sou eu?
Hoje faço vinte e cinco anos. Uns longos vinte e cinco anos. Anos a fio que me escondi. Negros anos de sentimentos ocultos que me assolaram a alma. Momentos de pensamentos que me levaram para bem distante de mim.
Quem se atreve a dizer que ainda não vivi a vida, só eu sei o que passei, só eu sei, porque experiências, tive que debater, só eu sei o que aprendi. A idade não é, nem será sinónimo de crescimento espiritual. Por diversas razões que me ultrapassaram, fui obrigado a crescer e desde cedo, fui o “menino” com o pensamento adulto.
Ao fim de tantos anos, dou por mim a pensar, no que realmente fiz na minha vida, que tivesse valor e que me desse valor.
Perguntas existencialistas que quase não têm resposta, que por pouco me deixam à beira de um precipício que me atira para o vazio, o estado em que este dia me deixa a alma.
Todos os anos é assim. Detesto o dia do meu aniversário, para mim deixou de fazer sentido comemorá-lo, há muito tempo … desde o dia em que … não importa. Desde o dia em que senti que mudei, a minha vida mudou, o meu olhar alterou!
Tento encontrar uma razão, uma única razão que me faça definir como feliz. Um motivo que me dê ânimo para continuar nesta luta constante, que não me permite descansos.
Todos estes anos que se passaram, todos os bons e maus momentos que passei, não me bastaram, para descobrir parte de mim. Não me permitiram a aprender a dominar este estando de ansiedade, os devaneios do coração, as desilusões que me causam.
Passaram vinte e anos e não sei quantos mais irei precisar…
Uma vez mais sento-me a fazer a mala ... a mala de uma vida, gasta pelos maus tratos que tem levado. Podia comprar uma mala nova, mas isso obrigava-me a mexer em assuntos que neste momento, não me apetece tocar.
Por outro lado, mexer nesta mala, já pesada, faria com que deixasse para trás algumas coisas, menos boas e que pesam tanto, me fazendo ficar cansado de tudo o que transporto comigo.
Uma vez mais abro esta mala, para guardar mais uma recordação, mais um sentimento, mais uma mão cheia de sorrisos, lágrimas que caíram em vão.
Parece que tudo o que estou a guardar é tão igual ao que já foi guardado antes, parece que nada mudou ... só muda a pessoa, o que fizemos, o que passamos. Os sentimentos parecem iguais, os sentimentos também... a dor, não a consigo comparar.
Abro a mala e inspiro fundo, deposito tudo o que neste momento me quero separar, deixar de lado, desocupar a minha cabeça. E fecho a velha mala, que me tem acompanhado nesta longa viagem, junto em todas as quedas, trambolhões, momentos em que estive lá em cima e que por tudo o que passou encontra-se completamente amachucada, com a cor debotada, já sem um apoio de colocar no chão... trago-a comigo como se fosse a minha, a minha vida está guardada nela!
Talvez tenha chegado ao momento de a trocar, guardar só o que é bom de guardar...
Foram tantas as ilusões que me fizeste querer acreditar. Mais ainda foram as desilusões que me fizeste ter.
Parece irreal a forma como me fizeste desligar de ti, sem te aperceberes, a forma como atenuaste este sentimento.
Acima de tudo quero-te mostrar o quanto estou bem neste momento, que fizeste bem em encostar-me contra a parede e que eu escolhi o melhor para mim! Não me fales em amizades, porque sabes bem que eu nunca te olhei como um amigo... sempre foste demasiado especial, sempre me dediquei de outra forma. Dei-me de forma incondicional, sem pensar que me podia vir a magoar, porque nunca me disseste que não, n realidade acho que não te importas com os outros! Porque tudo o que me dizias eram ilusões, todos os projectos que idealizaste em que me incluías era mentiras que me fazias querer viver. Não percebes, que me fizeste sonhar em vão?
Digo-te isto sem rancor ou mágoa, mas ainda sinto algo dentro de mim, quando falo disto. Nada me é indiferente, porque vivi bons meses de uma paixão de verão e tudo foi bom enquanto durou!
Só te quero fazer perceber o quanto perdeste e o que nunca irás recuperar! Para tudo há a oportunidade correcta e tudo o que viria após isso seria um erro, estragaria todos os bons momentos, que não quero que se apaguem!
Não me peças o que não te posso dar ... amizade e paixão trilham dois caminhos completamente diferentes e eu não sei se estou disposto a mais um sacrifício por ti, e voltar atrás no tempo... iria mexer em coisas que quero que fiquem como estão... ficamos assim ... para sempre!
Obrigaste-me a construir tantos castelos no ar. Cada sonho que me fizeste ter, em vão, foram mágoas que se acumularam no meu coração. Conseguiste torná-lo tão pequeno, frágil ... vulnerável. Prometi que nunca mais me deixava apanhar nesta situação, que não iria sofrer, que não me queria magoar de novo.
Na verdade, nunca sabemos até onde podemos ser. Até quando é que voltar para trás ainda é seguro e com a certeza que não iremos chorar no silêncio das noites.
E eu chorei, desesperei, gritei. Tudo na esperança que num novo amanhecer, tu percebesses o quanto eu estava envolvido contigo. Mas de nada valeu. Como se nada bastasse continuei a construir castelos, a cada sonho que me davas.
Sonhos estes que fizeste questão de os destruir, um a um, sem deixar nada além da tristeza, das lágrimas caídas noites a fio, na dor imensa que o meu peito suportava.
Fizeste não te querer mais da mesma forma, mesmo que tudo mudasse, eu já mudei antes disso!
Atribuí na minha vida, um valor demasiado alto, a alguém que, aparentemente, não merece.
Fui capaz de te sobrepor ao valor, que eu deveria ter para mim. Eu sempre fui o mais importante para mim, sempre me amei, sempre me cuidei e tu fizeste com que desvalorizasse esse amor próprio que sentia por mim!
E tudo para quê? Para nunca me valorizares? Para menosprezares o que eu sentia e sinto por ti? Sim sinto, porque uma paixão não acaba num dia. Porque eu não sou frio como tu, ao ponto de conseguir me desligar dos sentimentos, porque eu não sou como tu que diz “não quero mexer nessa parte da minha vida”, porque eu sei que posso sofrer mas pelo menos faço o que sinto.
Porque não me arrependo de cada passo que dei nesta vida, nem mesmo aqueles que tentei dar na tua direcção. Todos aqueles que me quiseste impedir de dar, mas TU não és ninguém capaz de impedir um sentimento, porque nem os teus sabes controlar!
"Não trate com prioridade quem te trata como opção!" que frase acertada, encaixa perfeitamente no meu momento, um momento que vou tratar de erradicar da minha vida, com tempo para que dar desvaneça aos poucos, sem pressas ou falsas partidas! Porque ... para mim não basta amar, não sou altruísta a esse ponto, eu também preciso de sentir que me amam, é bom senti-lo não é? Tu gostas... eu também gostaria de o sentir! Chega de sofrer ... só porque te tornei uma prioridade, é tempo de revê-las e tornar-te, de longe, uma prioridade de baixo valor.
Por mais voltas que o Mundo dê, por mais sinais que eu possa dar, por mais Amor que tente lhe mostrar, a barreira que ele ergueu entre ele e o romance, jamais poderá ser trespassada. Ainda agora iniciei esta subida e já são tantas as quedas, que não sei até quando estou disposto a aguentar. Isto porque sei, perfeitamente, que quando eu estiver a um passo de alcançar o cimo, esta barreira terá uma continuação e ficará ainda maior.
Não é apenas fruto da minha imaginação, ele próprio diz que o romance é “uma parte que eu não quero despertar, em mim”. Como eu sou persistente continua nesta luta, uma luta que tenho com ele próprio, na tentativa de conseguir chega ao seu coração.
Acho que tenho tentado que a minha vida se torne num filme. Um filme em que o “final feliz” e o “viveram felizes” para sempre, fazem parte.
Ontem, fui em cinema. Fui um pouco maldoso para “arrastar” a companhia, mas isso não é um assunto para agora! Apetecia-me ver uma comédia romântica , adoro! No decorrer do filme, dou por mim, ao lado do homem que amo e comecei a imaginar quantas vezes, inconscientemente, pensei no nosso final feliz. Um final que tem tanto de real como se mito. E este caso andará sempre em torno da realidade versus irrealidade. Porque um quer tanto e outro até pode querer, mas fecha-se numa concha impenetrável, sendo complicado de alcançar o seu coração!
No final do filme ele diz-me: “Não gostei muito ... Tenho que evitar estes filmes” e eu ripostei: “Porquê tens medo que o teu coração fique mole?”. Eu sou assim, tenho sempre uma resposta, neste caso uma boa resposta!
Agora estou à espera do desfecho deste final de filme e como sou diferente, será algo como “E (não) viveram felizes para sempre”
Como posso estar a perder, alguém que nunca me pertenceu?
Soluço entre lágrimas a tristeza que me invade a alma. Para quê gostar de alguém, se sei que acabo por sofrer. Já não tenho forças para amar ... sinto-me fraco, frágil, débil!
Mesmo quando eu devia parar, para não me magoar, quando me dizes que entre nós nada existirá além de uma amizade, a vontade de dar mais um passo é superior! Não te deixo, quero dar-te a mão.
Porque me dizes que não, mas o meu coração ouve sim? Se for mesmo assim, porque é que ele me mente tanto? Porque me deixa sofrer? Porque me quer arrastar uma vez mais para um buraco que não quero entrar?
Desfaço-me em perguntas às quais não sei responder. São tantas as dúvidas, as incertezas que me rondam a cabeça, que me ocupam o pensamento, que não me deixam ver apenas o que devia ver!
Não me apetece que partas sem mim. Se tiveres que ir, deixa-me ir contigo. Quero poder dar-te a mão e apoiar-te, porque te amo, porque te senti meu mesmo sem o seres e talvez por isso sofra, por sentir-me a perder quem nunca conquistei, mas que tenho lutado por isso!
Não me deixes ficar, por favor...
Incrível como consegues despertar em mim o que tenho de bom e me faz sentir bem, como os sentimentos que mais me magoam!
Hoje estou, completamente desfeito! Não sei se é a palavra mais correcta, mas a verdade é que começo a sentir-me doente, fraco, sem força para continuar a lutar por um amor, que só vive de uma parte, ou pelo menos mostra-se apenas num dos lados!
Embora esteja triste, magoado, ferido, completamente desfeito, continuo em embriagado por um amor que teima em me cegar. E eu sei, e todos sabem, que quando amamos e damos de nós, não temos um peso a uma medida que nos faça ter um limite!
Quando temos o coração apertado, aquela pequena dor que moí o coração, parece que não há dor no mundo, sem igual. Tudo faz parecer que somos os mais tristes e desprezados da vida. E é assim que me sinto: eu estou a sofrer, ninguém está como eu, eu mereço mais do que isto. E será que mereço mesmo? Será que não mereço passar por todas estas provações e sofrer se for o caso. Será que não devo dizer todos os disparates que me vêem à boca? Tais como: sou mesmo um burro ignorante, mereço sofrer porque sou bom demais e apaixono-me sempre por quem nunca me irá dar qualquer tipo de valor!!!
A verdade é que por mais barbaridades que eu diga que me tente mutilar verbalmente, não resulta, esta pequena grande dor, continua me apertando o coração, apetece-me chorar! Mas nem isso consigo, não saí. As lágrimas envergonham-se de mim, dos meus sentimentos, desta dor horrível!
Não consigo mais ser tratado com esta indiferença como me fazes, mereço mais!
Incrível que estamos a um mês de fazermos mais uma viagem, desta vez sozinhos e não sei como isto irá ficar! Não sei se valerá a pena, 7 dias que podia ser o paraíso, transformados num inferno!
Na minha cabeça existe um grande turbilhão de emoções, sentimentos, perguntas às quais não tenho resposta. Perguntas que se amontoam como peças de roupa por lavar desarrumadas pelos quatro cantos do meu quarto, revelando a confusão que neste momento existe.
Apetece-me desaparecer…
Últimos dias (5, 6 e 7)
Por entre os meus olhares e os meus suspiros, fomos vivendo estes dias. Eu, fazia de tudo para que eles nunca, estivesses juntos. Não se tratam de ciúmes doentios, bem pelo contrário. Não sou de fazer cenas, mas irrita-me ver que existe trocas de “carinhos”.
Por entre sorrisos esforçados, mal disposição que não podia disfarçar e de alguns ataques repentinos, passaram os últimos dias na ilha.
Para ser sincero, tive dias que ansiei pelo final das férias, queria terminar ali mesmo toda esta sensação de desconforto, que não me agradava nada.
Chegando a sexta-feira, ocorre-lhe querer ficar mais uns dias. Eu achei uma excelente ideia, era a oportunidade que eu queria, estar sozinho com a pessoa que mais queria.
Não fosse ele uma pessoa cheia de indecisões e depois de ter marcado tudo para o nosso regresso uma semana depois e sozinhos. Recuou e quis partir. Aqui foi um ponto que me chateou, profundamente, imensas coisas para alterar, face à dificuldade que poderia existir. Acabamos por nos chatear aos dois.
Sábado, os dias do regresso, os ânimos já estavam calmos, após a massagem fabulosa da noite anterior. Já tínhamos conversado e as coisas estavam arrumadas.
A caminho do aeroporto, em conversa, pediu-me que ficássemos! Eu já não podia fazer nada a minha vontade de ficar era enorme, mas não posso perder o meu controlo, não quero que ele tome conta de mim!
Dirigi-me a check-in, certo que não havia volta a dar e rumamos ao ponto de partida! Para trás uma mala de recordações, de dor, de traição, com a convicção que estou apaixonado por alguém que não procura o mesmo do que eu, mas mesmo assim, não o consigo esquecer!
Viro costas, ao menos bom, guardo na mala, os momentos que me dei e vou esperar pela “próxima viagem”.
Dia 4
Uma vez mais, acordei cedo! Tenho estado inquieto.
O sol hoje também acordou mais cedo do que o normal. Há uma hora atrás ouvi passos no quarto do lado, mas falta-me a coragem para lá ir. Talvez porque sei que agi mal ontem à noite!
Acabei por sair, sabendo que ele não estava bem e quem não se sente bem neste momento sou eu, sinto que fui injusto, deveria ter ficado no quarto mesmo que ele não estivesse comigo, mas porque podia precisar de mim.
Não sou de me arrepender do que faço, daí não ter que me arrepender disto, mas fico triste comigo próprio!
Enquanto andava a divagar em palavras, tive a visita matinal, do “menino dos meus olhos”, é muito agradável quando isto acontece! Só um cego não poderia ver o que eu sinto por ele!
Existem coisas que por mais que tentamos fugir, ou por maior que seja a volta que iremos dar, acabaremos sempre por encontrar alguém na minha vida, no momento mais exacto e propício. A verdade é que a conversa que estava a tentar idealizar desde ontem, com o meu amigo, simplesmente proporcionou-se, aquando da saída do meu adorado do nosso quarto.
“O que interessa é que fiquemos, sempre amigos!”, disse-me ele, não quis acreditar nos que estava a ouvir, mas ainda acrescentou “nem que, não discutamos”, julgo que mais amargo, fiquei ainda. Inspirei fundo, para não gritar, fiz uma pausa de 5 segundos e prossegui com o que tinha a dizer: “Pois, mas é melhor ter cuidado nesse dia as férias acabam, literalmente … sabes o que sinto por ele, além do mais sei que tu és uma pessoa de colocar a amizade acima de sexo”, que ainda tentou retorquir o que eu tinha dito, mas eu vinquei, que era uma amizade e o que eu sentia por uma pessoa!
Não foi a conversa mais fácil de se ter, principalmente, quando se confia num amigo, nem tão pouco está acabada, ficou muito por dizer!!!
A partir deste momento, as coisas não foram fáceis, os meus ciúmes vieram ao de cima, e tenho a certeza que ele já percebeu. Ao Bruno, acaba por passar, tudo ao lado, é um amigo que por vezes e com o calor destes momentos, tudo lhe passa ao lado. Mas se os olhares ferissem, talvez ele já tivesse percebido.